Hoje não tenho insónias. Não tenho sono. Não consigo dormir. Não lhe vou chamar insónias, contudo, aproveito o titulo para ligar ao primeiro 'insónias'. Um dia quem sabe escrevo um livro que se chamará "Insónias. Volumes".
Não tenho sono porque estou à espera da hora. O relógio do emigrante bate a hora. são 4h aqui. pelas três por lá. a bracelete de borracha deixa a sua marca. Vai tudo deixando, ou não?
Hoje soube que um amigo meu morreu. Soube há pouco mais de uns cigarros desbaforados. Que raio de exercicio é este que temos de fazer, viver. Para quê? Por vezes pergunto-me como é possível fazer planos e armar tendas em terras desconhecidas com ideia de ficar para sempre. Ideias suicidas...
Como se não bastasse o que já está num marco de correio por abrir, umas cartas com ar de riciculo porque o envelope é grande demais para a pequenice que é escrever uma carta nos dias que correm. Uma Carta. Não uma qualquer. Uma Carta por exemplo como a que o meu amigo me escreveria se soubesse a minha morada agora!
Gosto de Cartas! Por favor quando leres este texto manda-me a tua morada que mando-te uma Carta!
Não me percebo quando escrevo. Tenho cerca de 3 cigarros mais no maço desmaçado de orelhas de cartão. Faz falta por vezes toda a gente ter orelhas para ouvir bem. Melhor, para escutar com atenção aos pormenores! Os pássaros voam esta noite, não sei se chegam ou se vão para algum lado.
São rotas de emigrante. Já me deste um relógio.
Não me disseste adeus.
Eu não lhe disse Adeus. Ele partiu para uma viagem à volta de tudo, de frente para trás. Foi de carro, um machibombo que tanto gostava. Sempre com falta de óleo e gasolina no fim.
Tenho medo de nunca te dizer Adeus. Não sei se será bom ou mau. Quem não diz adeus significa que volta, um dia voltará. Quem fica à espera do adeus fica sempre à espera.
Muitas vezes não dizemos coisas mas fazemos coisas que falam por nós. Não precisas de me dizer. Eu sei.
Eu sei que te vais divertir como sempre o fazes! Eu sei que não te vais lembrar de mim durante dias e noites. E depois passas por minha casa e queres fazer-me uma visita. Mas eu não estou. Não me disseste Adeus foda-se! Não fiquei à espera. às vezes queria que esperássemos juntos!
Eu espero por ti!
por voçês.
Este texto está uma confusão. Vou matar um cigarro mais e perceber o que afinal quero escrever...
morto.
O que quero mesmo dizer, é, nu e cru,
Que faças boa viagem. Que não te esqueças de nós, que não te esquecemos Neves.
Que não te esqueço J. ainda não, ao contrário do que possas pensar.
nicotina esclarece por vezes. Estou mais descando, por enquanto, até nos vermos. Todos.
Até já!
K'
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