domingo, 14 de março de 2010

O rapaz que viu a lua

A noite vai adentro tua aura, e leva o teu brilho brilho nos olhos. São pequenas amêndoas que se banham em chocolate de leite e pepitas. À noite todos os gatos são pardos e eu não gosto de gatos, porque são pardos. e por vezes parvos também. Hoje a noite é fria, e as pedras da calçada apertam-se umas contra as outras porque até elas têm frio, mais frio do que o frio que é ser pedra. Não se vê viva-alma na rua, e os mochos e corujas estão fechados em bando, conversando sobre a sabedoria que saiu à rua e não voltou ainda. Um rapaz perdido anda pela rua, procura a sabedoria que perdeu outra noite, quando não havia luz de candeeiros, nem tão pouco da lua. A sabedoria ficou perdida, e andou várias noites pela calçada, que não deixou nunca de estar fria! O rapaz também ficou perdido, e nem mesmo perguntando aos mochos que ali se aqueciam onde era a saída mais próxima se conseguiu orientar. A sabedoria cruzou uma rua sem sentido e viu o rapaz a falar com os mochos. Esperou. Depois foi até ao pé do ouvido do rapaz e disse: Olha a lua, está linda. E o rapaz encontrou(-se).

K*

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